domingo, 17 de abril de 2011

Verão de 96 (parte 1)


Foi um verão daqueles que não fiz questão nenhuma de sair de São Paulo em janeiro.
Meu primo, Eduardo, por treinar pólo aquático quase todos os dias da semana, conhecia a galera bem melhor que eu, o que fazia com que ele tivesse informações frescas sobre o que rolava no Clube.
Uma delas foi descobrir que, de manhã, estavam abrindo o trampolim da piscina para quem quisesse. Não era um trampolim qualquer, era o do Clube Pinheiros: com um relógio no topo, quatro andares e, em frente a uma “planície” de piscinas, parecia um arranha-céu. Mas eu já tinha 14 anos! Enquanto eu crescia, ele diminuia…
Deram um ou dois dias para que só assistíssemos, de longe, os mais experientes pularem. Os que pulavam de cabeça ou de mortal tinham mais moral perante o resto.
Ninguém se referia aos andares seguindo uma ordem cardinal lógica, e sim uma ordem baseada nos metros de altura que tinham. O segundo era chamado de quinto e o quarto, e último, de décimo. Fazia sentido, pois, na cabeça de um adolescente, dizer que pulou do quarto não é o mesmo que do décimo!
Começamos pelo quinto. Subimos os dois. Às vezes alguém pedia licença ou perguntava se estávamos na fila. Tinha espaço para meia duzia de pessoas lá em cima. A grade era precária, fazendo eu me perguntar o que poderia acontecer se começasse uma briga, afinal sabemos bem o quanto um quer mostrar que é mais macho que o outro nessa idade. O clima de amizade, ainda bem, prevalecia.
Não lembro, juro que não lembro, quem pulou antes. Só lembro que foi um e logo depois o outro. Adoramos a brincadeira e nos próximos pulos já não eram 20 minutos de espera. Já não dava tempo de pedirem licença. Subir do quinto para o sétimo e, logo depois, para o décimo foi fácil.
A diferença do décimo é que, enquanto você está no ar, tem impressão de que o nível de adrenalina ou a falta de controle de situação é um pouco maior, o que deixava a experiência mais saborosa.
Depois de tirar o décimo de letra, Edu e Norton podiam fazer tudo o que quisessem. Pareciam até os super-heróis do jogo de cartas que jogavam à tarde, naquele mesmo verão.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Vida é um Milagre

foi uma frase que comecei a repetir a mim mesmo cada vez que me encontro numa situação de felicidade plena:
quando alguma coisa especial dá certo e eu consigo, ainda que por um breve instante, sorrir por dentro e por fora ao mesmo tempo;
quando me arrepio e me arrepio só de pensar na razão que me fez arrepiar;
quando choro de alegria mesmo tentando segurar.


Aqui, pretendo compartilhar alguns momentos em que a minha vida e a das pessoas que me cercam revelam-se um milagre. Um milagre não divino mas das nossas próprias escolhas.

O título, optei por escrevê-lo em catalão: língua que aprendi a respeitar, gostar, ler, escrever, ouvir e falar.